domingo, 27 de maio de 2012

Capitulo 2/Página 11


-Nada. Porque tinha alguma coisa que era pra eu ouvir? Ou tem alguma coisa que eu tenho que saber?
-Não tem nada pra você saber!
-Ok. Mãe eu precisava conversar com você.
-Agora não. Mais tarde!
-Sempre é assim, sempre “mais tarde” “agora não”. Não preciso mais falar com você não.
Sai e me tranquei no quarto. Sempre é assim ela nunca me ouve, nem ao menos tenta me ouvir. Tantas perguntas e nenhuma resposta. Me enrolei no edredom e começo a chorar de novo, nunca chorei tanto na vida, nunca me senti assim totalmente SOZINHA!
Ouço alguém bater na porta.
-Manuela! Sou eu sua avó, abra, por favor!
Levanto da cama e me aproximo da porta, destranco e giro a maçaneta.
-Aconteceu alguma coisa vó?
-Não! Apenas vim perguntar se você quer desabafar? Será que sua velha avó serve como sua ouvinte?
Senti que podia confiar nela, uma senhora de talvez sessenta e poucos anos me olhando com olhos cheios de compreensão como se já soubesse o que eu ia lhe contar.
Pedi que ela se sentasse na minha cama, ela se aproximou e sentou. Como pode uma senhora de idade ser tão ereta.
-Diga o que aconteceu no seu colégio!
-Como você sabe que foi no colégio?
-Meninas da sua idade sempre tem que conversar sobre coisas, como se apaixonar por um coleguinha do colégio. Esse tipo de coisa.
-No meu primeiro dia de aula conheci uma garota Juliana, ela é muito chata ela me odiou desde que olhou pra mim, mais eu não fiz nada a ela! E o pior aconteceu quando sem querer conheci o namorado dela Felipe e pra acabar com tudo acho que to gostando dele. Minha única amiga Amanda não pro colégio hoje, eu não sei o que aconteceu, ela me disse que nunca falta aula! E pra ficar pior ainda briguei com minha mãe.

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