-Nada. Porque tinha alguma coisa que
era pra eu ouvir? Ou tem alguma coisa que eu tenho que saber?
-Não tem nada pra você saber!
-Ok. Mãe eu precisava conversar com
você.
-Agora não. Mais tarde!
-Sempre é assim, sempre “mais tarde”
“agora não”. Não preciso mais falar com você não.
Sai e me tranquei no quarto. Sempre é
assim ela nunca me ouve, nem ao menos tenta me ouvir. Tantas perguntas e
nenhuma resposta. Me enrolei no edredom e começo a chorar de novo, nunca chorei
tanto na vida, nunca me senti assim totalmente SOZINHA!
Ouço alguém bater na porta.
-Manuela! Sou eu sua avó, abra, por
favor!
Levanto da cama e me aproximo da porta,
destranco e giro a maçaneta.
-Aconteceu alguma coisa vó?
-Não! Apenas vim perguntar se você
quer desabafar? Será que sua velha avó serve como sua ouvinte?
Senti que podia confiar nela, uma
senhora de talvez sessenta e poucos anos me olhando com olhos cheios de
compreensão como se já soubesse o que eu ia lhe contar.
Pedi que ela se sentasse na minha
cama, ela se aproximou e sentou. Como pode uma senhora de idade ser tão ereta.
-Diga o que aconteceu no seu colégio!
-Como você sabe que foi no colégio?
-Meninas da sua idade sempre tem que
conversar sobre coisas, como se apaixonar por um coleguinha do colégio. Esse
tipo de coisa.
-No meu primeiro dia de aula conheci
uma garota Juliana, ela é muito chata ela me odiou desde que olhou pra mim,
mais eu não fiz nada a ela! E o pior aconteceu quando sem querer conheci o
namorado dela Felipe e pra acabar com tudo acho que to gostando dele. Minha
única amiga Amanda não pro colégio hoje, eu não sei o que aconteceu, ela me
disse que nunca falta aula! E pra ficar pior ainda briguei com minha mãe.
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